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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Dispõe o sonho

Joga o corpo pra fora da cama, arrasta os cabelos pelo travesseiro. Nada faz acordar, nada faz nesses dias. Só levanta puxando o colchão pra ser mais confortável, não abre os olhos pra encarar a luz. Pensa se precisa acordar pra viver, se vale a manhã. Põe se a disposição de sonhar, balança de volta pro mesmo lugar de dormir. Cai no sono.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O jovem

Ele era um rapaz comum. Desses rapazes que só vivem pra ser feliz em seu senso de justiça. Ele tinha um ar de vida, uma explosão no olhar. Seus olhos sempre prendiam os meus... Mas eu não ligava. Ele saltitava no andar, empolgado. Como se a vida não pudesse esperar, como se o sonho estivesse logo alí. No fundo, sucateava a dor, quando saltitava, era sobre ela. Ele tinha um sorrisso encantadoramente sem graça, mas cheio de graça. Ele abraçava como se fosse proteger do mundo. No meio do abraço não havia mesmo outro mundo, mas ele não sabe, porque nunca se abraçou. Azar o dele. Mas se enrolava, se enrolava sozinho em si mesmo. Ele não decidia, mal sabia o que queria.
Ele era maluco, maluco dos bons, maluco do bem. Ainda era muleque, mas estava pronto pra vida. Ele não tinha noção do tempo, mas odiava a distância. Ele não se doava, era muito difícil, era muito leal. Ele não tinha medo, ele só tinha... Alguém.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Auau !

Ele começou latindo alto, incomodando à todos. Me chamou atenção por estar com a boca e nariz vermelhos, estava sangrando. Mesmo assim, agitado. Não parava de latir para os outros cachorros que estavam na rua. Então deitou na calçada da casa de baixo. Lá de cima pude ver seu olhar triste, então joguei um pedaço do churrasco para ele que ficou superfeliz, e me olhou implorando por mais. E o reneguei, mas não por muito tempo. Me deu pena. Joguei um pedaço menor que da última vez, enquanto ele se alegrava querendo mais. Achei abuso ele pedir mais, mas estava sangrando. Então peguei uma enorme carne mal-passada e um prato descartável. Desci as escadas, muito disfarçadamente para que ninguém percebesse que estava alimentando um cão de rua com uma carne cara. Parei na bica ao lado do portão e enchi de água aquela prato até então vazio. Abri o portão e chamei-o. Quanto mais perto ele chegava, mais eu via seus olhos brilharem. Aí ele pôs a língua sangrenta pra fora da boca em direção à água com ar de felicidade. Porém nada conseguiu beber, não parava de jorrar sangue de lá. Então eu joguei a carne, fechei o portão em seu fucinho e subi. Mas seus latidos me chamaram atenção, novamente. Já sabendo o motivo daquele escandalo, desci com as mãos cheias de carne. E lá estava ele, sangrando e feliz com a língua sacudindo molhando o chão de vermelho. Joguei pedaço por pedaço. Enquanto ele comia, vi a origem do sangue. O nariz. Escorria. Que dó. Peguei a água vermelha do chão, enchi novamente com água limpa, mas pensei que não valeria de nada já que ele sujaria novamente com sangue. Então, com muito medo de um ataque qualquer, peguei-o pela orelha e jorrei a água extremamente fria sob seu nariz. Ele parecia bem. E assim fiz até que o sangue parasse, e finalmente ele pôde beber água limpa e incolor. Seus olhos brilhavam. Seus olhos brilhavam muito. E eu fiquei como uma boba olhando seus olhos brilhando. Eram fofas demais suas orelhinhas de pé quando eu chamava. Não resisti mesmo e corri atrás da câmera para fotografá-lo. E ele se assustou com o flash. Resolvi ignorá-lo de vez, mas ele rodeava a casa e ficava olhando para o alto me procurando no terraço. Já tarde, ele cochilou na calçada, foi quando desci e deixei ao seu lado água fresca e carne mal-passada.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Bom Dia, eu vi o Sol nascer !

Era 10:43h da noite do dia 25, Natal. Eu estava irritada e itediada, dormi cedo. Já na madrugada do dia 26, acordei 2:00h, repentinamente, no meio de uma escuridão e silêncio profundos. Sosseguei na cama esperando o sono. Ele não cheguou. Rolei e enrrolei até às 3:00h, liguei a tv, vi um filme mas não conseguia dormir. Levantei, me olhei no espelho, senti fome. Comi tudo o que restou da ceia e voltei pra cama, sem sono. Assisti filmes até às 5:30h, quando notei uma baixa claridade pela janela do meu quarto. Desliguei a tv. Quis ver o Sol nascer. Peguei meu mp4 e pulei a janela para não precisar descer as escadas do quarto e ter que subir as escadas da sala além das do terraço. Subi as escadas do terraço até descobrir que o portão estava trancado. Resolvi, então descer as escadas da sala atrás das chaves. A porta da sala estava trancada. Subi novamente, pulei a janela, desci as escadas do quarto, peguei a chave. Subi as escadas da sala e logo depois, as do terraço. Coloquei meu mp4 no pé da escada. Demorei para descobrir qual chave respondia a qual cadeado. Voltei ao pé da escada para buscar meu mp4 e joguei ali as já inúteis chaves. Fui saltitante. Cheguei e vi o céu encoberto por nuvens, as quais tampavam o pouco que se podia ver do Sol. Recostei na parede ao som de Elephant Gun, atenta a cada movimento no céu.
 As nuvens, degradadas, se afastavam lentamente para longe do Astro Rei. Via os pássaros pulando de um lado para o outro. Apoiei-me no murinho gelado e limpo pela chuva da noite anterior. Meu mp4 desligou, e voltou a tocar antes que eu me desesperasse. E lá estava o Sol encoberto, já, por poucas nuvens rosa-alaranjadas as quais deixavam escapar feixos de luz. E definitivamente, meu mp4 descarregou. Senti um vazio. Rapidamente preenchido por um silêncio natural que muito me agradava, acompanhado de um cheiro de manhã. Um som de nada. Um cheiro de nada. Tudo muito natural. Ansciava ver o Sol. Cansei de ficar de pé e me sentei em uma mesa velha de madeira deteriorada apoiada no murinho. Sentei. A mesa bamboleava. Fixei meu olhar na maior nuvem que havia avistado, e ali fiquei. Quando dei por mim ela não estava mais lá.
Num angulo diferente pude ver, por trás das folhas das árvores dos vizinhos, sair de dentro das nuvens coloridas, o Sol. Reluzente e grandioso, pude entender porque o sistema gira ao seu redor. Recostei a cabeça no murinho gelado ao som do nada, ao aroma do céu matinal e à luz solar. Olhei para o Sol que ofuscava minha visão com seu brilho e queimava meu rosto. Olhei prara trás, e, ao ver a sombra que o Sol havia feito de mim, sorri. Sorria ao ver minha sombra sorrindo. Senti minha sombra morrendo, então olhei para o céu e vi, mais uma vez, o Sol se esconder por trás das nuvens.