domingo, 7 de fevereiro de 2010

Auau !

Ele começou latindo alto, incomodando à todos. Me chamou atenção por estar com a boca e nariz vermelhos, estava sangrando. Mesmo assim, agitado. Não parava de latir para os outros cachorros que estavam na rua. Então deitou na calçada da casa de baixo. Lá de cima pude ver seu olhar triste, então joguei um pedaço do churrasco para ele que ficou superfeliz, e me olhou implorando por mais. E o reneguei, mas não por muito tempo. Me deu pena. Joguei um pedaço menor que da última vez, enquanto ele se alegrava querendo mais. Achei abuso ele pedir mais, mas estava sangrando. Então peguei uma enorme carne mal-passada e um prato descartável. Desci as escadas, muito disfarçadamente para que ninguém percebesse que estava alimentando um cão de rua com uma carne cara. Parei na bica ao lado do portão e enchi de água aquela prato até então vazio. Abri o portão e chamei-o. Quanto mais perto ele chegava, mais eu via seus olhos brilharem. Aí ele pôs a língua sangrenta pra fora da boca em direção à água com ar de felicidade. Porém nada conseguiu beber, não parava de jorrar sangue de lá. Então eu joguei a carne, fechei o portão em seu fucinho e subi. Mas seus latidos me chamaram atenção, novamente. Já sabendo o motivo daquele escandalo, desci com as mãos cheias de carne. E lá estava ele, sangrando e feliz com a língua sacudindo molhando o chão de vermelho. Joguei pedaço por pedaço. Enquanto ele comia, vi a origem do sangue. O nariz. Escorria. Que dó. Peguei a água vermelha do chão, enchi novamente com água limpa, mas pensei que não valeria de nada já que ele sujaria novamente com sangue. Então, com muito medo de um ataque qualquer, peguei-o pela orelha e jorrei a água extremamente fria sob seu nariz. Ele parecia bem. E assim fiz até que o sangue parasse, e finalmente ele pôde beber água limpa e incolor. Seus olhos brilhavam. Seus olhos brilhavam muito. E eu fiquei como uma boba olhando seus olhos brilhando. Eram fofas demais suas orelhinhas de pé quando eu chamava. Não resisti mesmo e corri atrás da câmera para fotografá-lo. E ele se assustou com o flash. Resolvi ignorá-lo de vez, mas ele rodeava a casa e ficava olhando para o alto me procurando no terraço. Já tarde, ele cochilou na calçada, foi quando desci e deixei ao seu lado água fresca e carne mal-passada.

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