quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Lavada

Lava minha alma. Você acalma meu coração, você me trás esperança. Assim fácil, você me faz sorrir e tira o melhor de mim. Faz eu esquecer do mundo tornando tudo possível, me faz querer viver e largar a vida. Me dá o melhor de você expondo o melhor de mim. Me faz morrer de amor, lava meu coração.

Menina da rua

Luz tinha uma rua. A rua era só dela, ninguém passava ali, ninguém morava ali. Ela cuidava da estrada e floria a calçada, ela olhava o céu e a luz da Lua. Luz vivia na rua que ela criou, e buscava iluminar os cantos pra fazer brilhar cada esquina. Pra fazer brilhar.

Olha pra frente

Enquanto você olha pro passado, o presente acontece e você não vê. Quando você olha pro passado, seu futuro não é visualizado, e morre. Quando você olha pro passado, é como se andasse de costas, sem perceber o que vem, sem notar o caminho. Se você não enxerga a frente, você não sabe pra onde vai, não sabe pra onde está indo. Enquanto você olha pra trás, a vida acontece. Dê meia volta, olha pra frente.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Faria uso

Eu poderia usar você. Usar você pra te amar, usar pra te fazer feliz. Eu usaria você de corpo e alma, pra me fazer sorrir. Eu brincaria com seu coração roubando ele pra mim, e faria de mim o seu refém. Eu usaria da sua boa vontade pra estar sempre comigo e te carregar pra todo canto. Te usaria pra testar a reação de um "eu te amo", pra encher seus olhos d'água, encher seu peito de saudade. Faria uso de tudo em você pra mim.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Poeta abre a janela

Preciso da poesia pra viver, e poetizar pra respirar. Entre o ar nessa cela. Abre a janela, poeta!
Que me dê fôlego, que o cheiro me suba às narinas. Coloca pra fora o meu coração, e me expõe a alma. Arde a chama em meu peito que me consome, que ateia, que haja lenha. Sopra na minha emoção, salva a paixão. Chega impetuosa ventania, derruba as árvores que me fazem sombra e são barreira pra luz. Ilumina.

O jovem

Ele era um rapaz comum. Desses rapazes que só vivem pra ser feliz em seu senso de justiça. Ele tinha um ar de vida, uma explosão no olhar. Seus olhos sempre prendiam os meus... Mas eu não ligava. Ele saltitava no andar, empolgado. Como se a vida não pudesse esperar, como se o sonho estivesse logo alí. No fundo, sucateava a dor, quando saltitava, era sobre ela. Ele tinha um sorrisso encantadoramente sem graça, mas cheio de graça. Ele abraçava como se fosse proteger do mundo. No meio do abraço não havia mesmo outro mundo, mas ele não sabe, porque nunca se abraçou. Azar o dele. Mas se enrolava, se enrolava sozinho em si mesmo. Ele não decidia, mal sabia o que queria.
Ele era maluco, maluco dos bons, maluco do bem. Ainda era muleque, mas estava pronto pra vida. Ele não tinha noção do tempo, mas odiava a distância. Ele não se doava, era muito difícil, era muito leal. Ele não tinha medo, ele só tinha... Alguém.

Siga

Dirija. Ainda que não haja direção certa, ainda que a estrada mal seja definida. Não pare, pedale. O tempo mostra o caminho, a vida dá condução. Percorra um trajeto, invente um meio. Só não saia sem um destino, tenha um foco. E não pare.