terça-feira, 16 de setembro de 2014

Por Yuri Rodrigo

Conheci um menino, um menino não tão brilhante, um pouco desajeitado, apagado, mas determinado, ou será brilhante por ser determinado? Depende do referencial.
Este menino, cria dentro dele campos, vastos campos que possuiem dois lados, um lado florido,bonito, onde a chuva sempre forma distintas cores no céu, quando combinadas ao sol, ao entardecer. A grama é verde, e boa para deitar-se, e ficar por horas em uma sombra boa de uma frondosa árvore. Os ventos sempre batem de forma suave, e sussuram de forma combinada ao momento. Do outro, pode se ver, um lado um pouco cinza, como se fosse idêntico ao outro lado, entretanto, os campos são áridos, sem flores, as árvores secas, sem folhas, e o sol sempre encoberto por nuvens, com um vento sempre forte e um clima tempestuoso.
Certa vez, ele me disse que por vezes, se ver naquele lado tempestuoso, e chora, chora por dentro, sente-se culpado pelo estado daquele campo, ele me disse que sente-se só, sente um vazio. Ele diz, que faz outros sorrirem para sorrir, procura o bem para criar o bem, e quando é agraciado com elogios  não se sente a vontade, porque isso é incomum para ele.
Aquele lado, com um campo florido,já correu perigo de extinção e de ser cinza e sem vida, porém as palavras e abraços firmaram esse lugar.
Esse menino é inocente, por vezes, conversamos, e perdemos horas brincando e relembrando bons momentos, ele é um garoto excepcional para mim, bom de conversar sabe?
Confesso a você, que ele me surpreende com algumas atitudes, acho que ele faz para aparecer, ter sua existência reconhecida, mas se não fosae isso não o teria notado.
Isso me faz lembrar do dia que eu o conheci, estava cabisbaixo, sem.amigos e sozinho, estava dando fim a minha personalidade, a mim mesmo, e ai, nos esbarramos, ele  assustado me perguntou
-Como você consegue vagar por esses campos cinzas? Pensei que apenas eu existia aqui.
E então eu respondi
- Moro aqui há anos, e só conseguir ver você agora.
Sabe, eu acho que ele sempre morou nos campos floridos, e veio até esse campo cinza para me resgatar.

A ponte

Construída está a ponte. Cimento e concreto. A ponte antes florida e titubeante no vento, agora é rígida. Pode passar na ponte, pode pisar na ponte que agora é firme, agora é rocha, onde não crescem flores. Só faz levar de um lado pro outro, só liga os mundos, sem nenhuma emoção. Minha ponte, meu coração.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Barulho e bagunça

Corri na minha frente pra chegar mais rápido. Pulei o muro na minha mente e criei caminho pro meu coração. Me perdi nas curvas da minha vontade, tropecei nas emoções pra chegar lá. Corri pra que eu não conseguisse me alcansar. Tudo isso pra no meio do caminho a minha consciência mandar eu esperar. Não me fez perder tempo, me fez ouvi-la. Que barulho, que bagunça. Tirei as pedras do caminho, refiz a trilha em reta. Cheguei mais rápido, sem cair no chão, na calma do silêncio.

Eu sorri

Eu sorri quando lembrei do olhar que me faz desmoronar. Enquanto eu deveria me ocupar falando e pondo pra fora o que tem preso, eu sorri. Nada prende o meu sorriso. Pra desatar a confusão na minha cabeça que faz meu coração querer explodir, eu sorri. O sorriso sai da minha boca cheia de lágrimas, que descem pela garganta até o nó que me entala. Eu sorri, mesmo querendo chorar.