Preciso da poesia pra viver, e poetizar pra respirar. Entre o ar nessa cela. Abre a janela, poeta!
Que me dê fôlego, que o cheiro me suba às narinas. Coloca pra fora o meu coração, e me expõe a alma. Arde a chama em meu peito que me consome, que ateia, que haja lenha. Sopra na minha emoção, salva a paixão. Chega impetuosa ventania, derruba as árvores que me fazem sombra e são barreira pra luz. Ilumina.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
Poeta abre a janela
O jovem
Ele era um rapaz comum. Desses rapazes que só vivem pra ser feliz em seu senso de justiça. Ele tinha um ar de vida, uma explosão no olhar. Seus olhos sempre prendiam os meus... Mas eu não ligava. Ele saltitava no andar, empolgado. Como se a vida não pudesse esperar, como se o sonho estivesse logo alí. No fundo, sucateava a dor, quando saltitava, era sobre ela. Ele tinha um sorrisso encantadoramente sem graça, mas cheio de graça. Ele abraçava como se fosse proteger do mundo. No meio do abraço não havia mesmo outro mundo, mas ele não sabe, porque nunca se abraçou. Azar o dele. Mas se enrolava, se enrolava sozinho em si mesmo. Ele não decidia, mal sabia o que queria.
Ele era maluco, maluco dos bons, maluco do bem. Ainda era muleque, mas estava pronto pra vida. Ele não tinha noção do tempo, mas odiava a distância. Ele não se doava, era muito difícil, era muito leal. Ele não tinha medo, ele só tinha... Alguém.
Siga
Dirija. Ainda que não haja direção certa, ainda que a estrada mal seja definida. Não pare, pedale. O tempo mostra o caminho, a vida dá condução. Percorra um trajeto, invente um meio. Só não saia sem um destino, tenha um foco. E não pare.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
Por Yuri Rodrigo
Este menino, cria dentro dele campos, vastos campos que possuiem dois lados, um lado florido,bonito, onde a chuva sempre forma distintas cores no céu, quando combinadas ao sol, ao entardecer. A grama é verde, e boa para deitar-se, e ficar por horas em uma sombra boa de uma frondosa árvore. Os ventos sempre batem de forma suave, e sussuram de forma combinada ao momento. Do outro, pode se ver, um lado um pouco cinza, como se fosse idêntico ao outro lado, entretanto, os campos são áridos, sem flores, as árvores secas, sem folhas, e o sol sempre encoberto por nuvens, com um vento sempre forte e um clima tempestuoso.
Certa vez, ele me disse que por vezes, se ver naquele lado tempestuoso, e chora, chora por dentro, sente-se culpado pelo estado daquele campo, ele me disse que sente-se só, sente um vazio. Ele diz, que faz outros sorrirem para sorrir, procura o bem para criar o bem, e quando é agraciado com elogios não se sente a vontade, porque isso é incomum para ele.
Aquele lado, com um campo florido,já correu perigo de extinção e de ser cinza e sem vida, porém as palavras e abraços firmaram esse lugar.
Esse menino é inocente, por vezes, conversamos, e perdemos horas brincando e relembrando bons momentos, ele é um garoto excepcional para mim, bom de conversar sabe?
Confesso a você, que ele me surpreende com algumas atitudes, acho que ele faz para aparecer, ter sua existência reconhecida, mas se não fosae isso não o teria notado.
Isso me faz lembrar do dia que eu o conheci, estava cabisbaixo, sem.amigos e sozinho, estava dando fim a minha personalidade, a mim mesmo, e ai, nos esbarramos, ele assustado me perguntou
-Como você consegue vagar por esses campos cinzas? Pensei que apenas eu existia aqui.
E então eu respondi
- Moro aqui há anos, e só conseguir ver você agora.
Sabe, eu acho que ele sempre morou nos campos floridos, e veio até esse campo cinza para me resgatar.
A ponte
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Barulho e bagunça
Corri na minha frente pra chegar mais rápido. Pulei o muro na minha mente e criei caminho pro meu coração. Me perdi nas curvas da minha vontade, tropecei nas emoções pra chegar lá. Corri pra que eu não conseguisse me alcansar. Tudo isso pra no meio do caminho a minha consciência mandar eu esperar. Não me fez perder tempo, me fez ouvi-la. Que barulho, que bagunça. Tirei as pedras do caminho, refiz a trilha em reta. Cheguei mais rápido, sem cair no chão, na calma do silêncio.