domingo, 31 de agosto de 2014

Quando passar

Quando tudo isso passar, eu vou rir de mim mesmo. Vou achar graça do meu choro, e eu vou chorar de rir. Eu vou contar minha história triste e isso não vai doer, porque já vou ter superado. E quando passar, eu vou entender, e tudo vai fazer mais sentido do que faz agora, e eu vou clarear. Eu vou esclarecer minha mente até o dia em que isso passar.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Meu cheiro

Borrifo um pouco do perfume. Só um pouco do perfume. A essência não é pra qualquer um sentir, não é pra quem tá longe. A fragrância é pros íntimos, pra quem vem abraçar. É cheiro particular.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Aumenta vida.

Vamos parar com a hipocrisia, vamos viver de poesia. Pode olhar pro tempo, seguir o movimento de uma vida fria, sem nenhuma magia. Mas que graça teria se a gente não tivesse um pouco de ternura, um pouco de doçura. A gente ia ser um poço de amargura, vendo passar o tempo sem nenhum movimento. Responda sua felicidade com fidelidade, dê espaço à ela, dê caminho à ela, deixa ela viver dentro de você. Vamos ler a poesia escrita com alegria pra dizer que existe alma dentro desse corpo-pó. Hipócrita fantasia de engolir tudo sem choro, de beber a própria lágrima como se isso fosse ouro. Vamos parar com a hipocrisia de apagar a poesia, porque isso é vida sim, vida jorrando de mim.

Passa-tempo

Enquanto o tempo passa, eu corro pelo tempo tentando resgatar o tempo que eu perdi querendo entender pra que o tempo quer correr, porque o tempo vai escapando pelas mãos durante o tempo que me resta. E pra onde vai o tempo? Pra onde é que o tempo vai? Porque o tempo tem a pressa de uma criança, o rítmo de uma dança, a visibilidade do ar que só se vê no cata-vento. Que sensação de tempo perdido.

domingo, 30 de março de 2014

Mais fácil

Eu vou chorar, mas não sei quando. Quero chorar, mas não sei como. Tenho que aprender a colocar pra fora isso que eu escondo no peito. Preciso por pra fora, mas não sei como. Eu choro, porque é mais fácil. As lágrimas sempre dizem o que eu preciso falar. É mais fácil eu chorar, não aprendi a me expressar. Eu não falo, só começo a chorar.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Asas que me levem

Coloquei o pé no chão procurando segurança, mas eu gosto de voar, viajar como criança. Eu não quero entender essa obsessão de ter onde cair quando o pouso der errado, e tiver que escolher pra onde corro, pra que lado. Não quero descer do céu, nem fazer nada forçado, eu só quero ser eu mesmo em qualquer ocasião, seja no ar ou no chão, onde seja confortável pra eu poder mudar o mundo, pra poder mudar meu rumo. Sem nenhuma confusão, sem nenhuma indecisão, seja no ar ou no chão, sem avião, sem balão. Só criando minhas asas que me levem pra voar, porque eu gosto do céu e é lá que eu quero estar. Tiro os pés da terra firme e começo a flutuar, vou levantando vôo e não sei se vou voltar.

Onde quase não neva

Um lugar onde
quase não neva, onde mal se vive, sobrevive.
Onde não dá pra entender o porquê, porque ninguém quer saber. Me disse que esse lugar é lindo, que esse lugar é alegre. Eu vi um lugar tão sujo, tão destroçado e explorado, tão vazio e sem juízo. Onde não tem justiça, lugar de gente mestiça. Um lugar misturado de cores, misturado e corrupto, que divide a tristeza e a esperança de um lugar de poucas dores. Onde tudo é extremo e não tem meio termo, um lugar onde se vive com medo.
Lugar que só neva no sul, e não chove no norte. Onde tudo se acumula como bola de neve, que rola e arrebenta quem não nasceu com sorte. Lugar desequilibrado, onde todo o eco é carbonizado, onde o eco da voz é abafado. Lugar que caminha pra lugar nenhum, nem pra onde neva, nem pra buraco sem fim.